Resíduos de eventos podem se acumular rapidamente em festivais, shows, congressos, feiras e encontros corporativos, esportivos, artísticos ou religiosos. Afinal, essas programações mobilizam pessoas, fornecedores, alimentos, embalagens, estruturas temporárias e materiais de comunicação.
Seja em uma programação que dure algumas horas ou se estenda por vários dias, diferentes tipos de eventos concentram materiais de consumo, montagem e decoração que, após o uso, precisam receber uma destinação adequada.
Um exemplo que ganhou repercussão nacional aconteceu após o show de Lady Gaga, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em maio de 2025. A Comlurb removeu 392 toneladas de resíduos da região após o evento, que reuniu cerca de 2,1 milhões de pessoas.
A geração expressiva também aparece em eventos de menor porte. O Rio Open 2025 recebeu 69.350 pessoas e gerou 48,2 toneladas de resíduos sólidos durante nove dias.
Nesse caso, 69,2% do volume gerado foi reciclado, compostado ou reaproveitado, mostrando como planejamento e separação adequada podem ampliar o aproveitamento dos materiais.
O mesmo desafio aparece em congressos, convenções e feiras de negócios, que concentram, em curtos períodos, embalagens, materiais de comunicação, itens de alimentação, estruturas e outros resíduos.
Os exemplos mostram que a geração de resíduos acompanha eventos de diferentes portes e formatos. Quando a gestão começa somente após o encerramento, aumentam os riscos de mistura, contaminação dos recicláveis e crescimento da parcela que acaba destinada como rejeito.
Mas como evitar que todo esse material se transforme em um problema depois que o público vai embora?
Continue a leitura e descubra como reduzir os impactos dos resíduos de eventos com planejamento, separação na origem e destinação adequada.
Quais resíduos de eventos costumam ser gerados?
Os resíduos de eventos variam conforme o porte, a duração, o público e o formato da programação. Ainda assim, alguns grupos aparecem com frequência em shows, feiras, congressos, competições esportivas e encontros corporativos.
Entre os materiais mais comuns estão:
- copos, pratos, talheres, guardanapos, garrafas, latas e outras embalagens de alimentos e bebidas,
- restos de alimentos e demais resíduos orgânicos,
- banners, lonas, adesivos, crachás, cordões, pulseiras, brindes e materiais impressos,
- caixas de papelão, filmes plásticos e embalagens utilizadas por fornecedores,
- madeira, carpetes, tecidos, peças de cenografia e sobras da montagem e desmontagem.
Essa diversidade torna a gestão mais complexa porque, em um mesmo espaço, podem existir recicláveis secos, resíduos orgânicos, rejeitos e materiais que exigem destinação específica.
O problema aparece quando todos esses fluxos recebem o mesmo tratamento. A mistura pode contaminar materiais recicláveis, dificultar a triagem e reduzir as possibilidades de recuperação ou reaproveitamento.
Por isso, identificar previamente quais resíduos de eventos têm maior probabilidade de ser gerados ajuda a definir coletores, orientar as equipes e organizar uma destinação mais adequada para cada tipo de material.
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Por que a gestão de resíduos deve começar no planejamento?
O planejamento permite definir fornecedores, materiais, pontos de coleta, sinalização, equipe responsável, armazenamento temporário e parceiros de destinação antes mesmo da abertura ao público.
Essa lógica está alinhada à ISO 20121, referência internacional para sistemas de gestão da sustentabilidade em eventos. A norma orienta organizações a considerar de forma estruturada os impactos ambientais, sociais e econômicos relacionados ao planejamento e à realização dos eventos.
Na prática, isso pode incluir reduzir materiais impressos, substituir descartáveis por itens reutilizáveis quando possível, planejar cenografias para mais de um uso, evitar brindes com baixa vida útil e alinhar com os fornecedores o uso de embalagens, a retirada de sobras e o destino dos materiais.
Também é possível prever alternativas para resíduos específicos, como a doação de alimentos excedentes, desde que existam condições adequadas e sejam atendidas as exigências sanitárias.
Percebe como a gestão começa bem antes de posicionar os coletores?
Reduzir os resíduos de eventos passa pelas escolhas feitas antes mesmo da montagem, e não somente pelo descarte após o uso.
Como separar resíduos durante o evento?
A separação dos resíduos de eventos precisa ser simples, visível e fácil de entender. Quanto mais intuitiva for a orientação, maiores são as chances de público, fornecedores e equipes descartarem cada material no local correto.
Os coletores devem ficar em pontos estratégicos, como áreas de alimentação, entradas, saídas, bastidores, estandes e locais de maior circulação.
A sinalização também faz diferença. Identificações claras, linguagem acessível e exemplos visuais do que pertence a cada coletor ajudam a reduzir dúvidas e evitam que recicláveis, orgânicos e rejeitos sejam misturados logo na origem.
Essa lógica está de acordo com o conceito de coleta seletiva previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que considera a coleta de resíduos previamente segregados conforme sua constituição ou composição. Por isso, orientar corretamente quem realiza o descarte é uma etapa importante do processo.
A separação precisa ser mantida também nas etapas seguintes. A equipe operacional deve estar orientada para preservar os diferentes fluxos durante a coleta interna, o transporte e o armazenamento temporário, evitando que materiais já separados voltem a ser misturados.
Esse mesmo cuidado deve envolver fornecedores e expositores, já que parte dos resíduos de eventos pode surgir antes da abertura ao público e também após o encerramento.
Embalagens, papelão, madeira, materiais de comunicação e sobras da montagem também precisam ser separados e encaminhados de acordo com suas características.
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Rastreabilidade e comprovação: por que o pós-evento também importa?
A gestão dos resíduos de eventos não termina quando o público vai embora. Depois do encerramento, é importante:
- consolidar os volumes gerados,
- registrar os destinos,
- avaliar possíveis falhas na operação,
- reunir os documentos relacionados à destinação.
Essas informações ajudam organizadores, empresas e marcas patrocinadoras a entender o que funcionou, identificar pontos de melhoria e acompanhar indicadores que podem apoiar relatórios de sustentabilidade e compromissos ESG.
Afinal, saber quanto foi coletado é importante, mas entender para onde cada material seguiu também faz parte de uma gestão mais organizada.
Quando aplicável, o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) é uma das ferramentas utilizadas para dar rastreabilidade a esse processo. No SINIR, o documento reúne informações relacionadas ao gerador, transportador e destinador dos resíduos sólidos.
A emissão do MTR deve observar as situações previstas na regulamentação e as obrigações aplicáveis ao gerador. Por isso, sua utilização precisa ser avaliada de acordo com as características da operação e dos resíduos envolvidos.
Esse controle também se conecta à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece diretrizes para a gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente adequado, além de atribuir responsabilidades aos diferentes agentes envolvidos no fluxo dos resíduos.
Por isso, a gestão dos resíduos de eventos não se completa apenas com a retirada dos materiais do local. É preciso conhecer seu percurso e, quando exigido, manter a documentação necessária para comprovar a destinação ambientalmente adequada.
Como empresas podem reduzir impactos em eventos futuros?
Um checklist ambiental pode ajudar empresas e organizadores a estruturar a gestão dos resíduos de eventos desde o início. Nele, podem entrar os resíduos esperados, fornecedores, pontos de coleta, comunicação, treinamento, armazenamento temporário e destinação.
Depois da realização, esse planejamento pode ser revisto com base no que aconteceu na prática. Quais resíduos apareceram em maior volume? Em quais pontos houve mais contaminação? Algum material poderia ser substituído na próxima edição?
Responder a essas perguntas ajuda a estabelecer indicadores e aprimorar eventos futuros. Com dados comparáveis, fica mais fácil identificar avanços, corrigir falhas e definir metas mais realistas para redução, reaproveitamento e destinação.
A responsabilidade também precisa ser compartilhada. Organizadores, expositores, patrocinadores, fornecedores, espaços, prestadores de serviço e público interferem diretamente na quantidade de resíduos gerados e na forma como esses materiais seguem pelo fluxo de descarte.
Por isso, os resíduos de eventos não devem ser vistos somente como uma questão de limpeza após o encerramento. É possível reduzir impactos quando prevenção, separação, coleta, triagem e destinação fazem parte de uma cadeia organizada.
Eventos mais sustentáveis dependem de decisões coordenadas antes, durante e depois da realização.
E, nesse contexto, quanto mais claro estiver o papel de cada participante da cadeia, maiores serão as possibilidades de preservar materiais aproveitáveis, reduzir a geração de rejeitos e melhorar a destinação dos resíduos.
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