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Novas regras de reciclagem na Inglaterra

Novas regras de reciclagem na Inglaterra

A reciclagem na Inglaterra está passando por mudanças importantes. E acompanhar esse movimento pode trazer aprendizados valiosos, inclusive para o Brasil.

Embora o país apresente índices superiores aos brasileiros, suas taxas de reciclagem permaneceram praticamente estagnadas nos últimos anos. Esse cenário levou o governo inglês a rever a forma como os resíduos são separados, coletados e destinados.

Segundo dados do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra), a Inglaterra recicla cerca de 44% dos resíduos sólidos municipais. O índice permanece praticamente no mesmo patamar há mais de uma década e fica abaixo do registrado no País de Gales, que supera 57%, e da Irlanda do Norte, que alcança aproximadamente 50%.

Para mudar essa realidade, o governo estabeleceu a meta de elevar a reciclagem dos resíduos sólidos municipais para 65% até 2035.

Foi nesse contexto que entrou em vigor, em 31 de março de 2026, o programa Simpler Recycling (Reciclagem Simplificada).

O próprio nome já resume a proposta: tornar a separação dos resíduos mais simples para que mais pessoas participem do processo.

Pode parecer uma mudança pequena, mas quando as regras ficam claras, a participação da população tende a aumentar.

Ao todo, cinco mudanças principais passaram a orientar a reciclagem na Inglaterra. Conheça cada uma delas.

Panorama da reciclagem inglesa 

Antes da implantação do Simpler Recycling, cada autoridade local podia definir suas próprias regras para a coleta seletiva.

Na prática, isso significava que um material aceito para reciclagem em uma cidade poderia não ser recolhido em outra localizada a poucos quilômetros de distância.

Essa falta de padronização gerava dúvidas frequentes entre os moradores.

Além disso, campanhas de conscientização variavam de uma região para outra, dificultando a criação de hábitos mais consistentes entre a população.

Esse modelo contribuiu para que os índices de reciclagem permanecessem praticamente estáveis por mais de dez anos.

Com o Simpler Recycling, a proposta mudou completamente.

Agora existe um padrão nacional para a separação e coleta dos resíduos, facilitando a compreensão das regras e tornando o sistema mais uniforme em toda a Inglaterra.

Quando todos seguem a mesma orientação, fica muito mais fácil transformar um hábito individual em um resultado coletivo.

5 principais mudanças da reciclagem na Inglaterra

As novas regras da reciclagem na Inglaterra estabelecem cinco mudanças que passam a valer para todo o território inglês.

Além de simplificar a separação dos resíduos, o objetivo é aumentar a qualidade dos materiais coletados e ampliar os índices de reciclagem nos próximos anos.

Em alguns casos, o descumprimento das regras pode resultar em multas de até £400, conforme a legislação e as normas aplicadas pelas autoridades locais.

Conheça as principais mudanças:

Coleta padronizada de resíduos em quatro categorias principais 

Uma das maiores novidades foi a criação de um padrão nacional para a separação dos resíduos.

Assim, deixa de existir a situação em que determinado material é reciclável em uma cidade, mas não em outra.

Agora, residências, empresas e demais estabelecimentos devem separar os resíduos em quatro grupos principais:

  • papel e cartão,
  • materiais recicláveis secos,
  • resíduos alimentares e de jardim,
  • resíduos não recicláveis.

A medida busca facilitar a separação, reduzir erros durante o descarte e aumentar a eficiência da reciclagem na Inglaterra.

Quando o processo fica mais simples para a população, cresce também a chance de adesão às novas regras.

Coleta semanal gratuita de resíduos alimentares 

Outra mudança importante envolve os resíduos orgânicos.

A coleta semanal deste material passa a fazer parte da rotina das residências e de muitos estabelecimentos comerciais.

Para tornar o processo mais prático, o programa prevê o uso de dois recipientes diferentes.

O primeiro é o caddy de cozinha, um pequeno coletor que normalmente permanece próximo à pia e recebe restos de alimentos durante o preparo das refeições.

Depois, esse conteúdo é transferido para um recipiente maior disponibilizado para a coleta pública.

Semanalmente, equipes responsáveis recolhem esse material e o encaminham para unidades de tratamento, onde os resíduos podem ser transformados em fertilizantes ou utilizados na produção de energia por meio da digestão anaeróbia.

Além de reduzir o volume enviado aos aterros, essa medida permite aproveitar melhor um resíduo que, até pouco tempo atrás, era tratado apenas como descarte.

Separação de papel e cartão em fluxo próprio 

Outra mudança importante diz respeito ao papel e ao cartão.

A partir das novas regras, esses materiais passam a ser coletados separadamente dos demais resíduos recicláveis secos.

Pode parecer apenas um detalhe, mas essa medida faz bastante diferença na qualidade do material recuperado.

Quando papel e cartão são misturados com vidro quebrado, restos de alimentos ou outros resíduos, aumentam as chances de contaminação e diminuem as possibilidades de reciclagem.

Com a separação em um fluxo específico, é possível:

  • evitar a umidade,
  • preservar as fibras do papel,
  • reduzir contaminações,
  • aumentar o valor do material encaminhado para reciclagem.

Essa estratégia melhora o aproveitamento dos resíduos e torna todo o processo mais eficiente.

Eliminação da variação entre municípios na coleta 

Como vimos, uma das principais propostas do Simpler Recycling é eliminar as diferenças existentes entre as regiões.

Antes da nova legislação, moradores de cidades vizinhas precisavam seguir regras diferentes para separar seus resíduos.

Essa realidade deu origem ao termo postcode lottery, ou “loteria do código postal”, utilizado para mostrar como o acesso aos serviços públicos podia variar dependendo do local onde cada pessoa morava.

Com a padronização nacional, a expectativa é tornar o sistema mais simples para toda a população.

Independentemente da cidade, as regras passam a ser as mesmas.

Isso facilita campanhas educativas, reduz dúvidas sobre a separação dos resíduos e contribui para aumentar os índices de reciclagem na Inglaterra.

Quando todos recebem a mesma orientação, fica mais fácil transformar informação em hábito.

Preparação para inclusão de plásticos flexíveis em 2027 

A quinta mudança já tem data para acontecer.

A partir de 31 de março de 2027, as autoridades locais também deverão incluir os plásticos flexíveis na coleta seletiva.

Entre os materiais previstos estão:

  • sacolas de compras,
  • embalagens plásticas flexíveis,
  • filmes utilizados para proteger alimentos,
  • embalagens de salgadinhos,
  • outros plásticos compostos principalmente por polietileno (PE) e polipropileno (PP).

Esse tipo de resíduo ainda representa um desafio para diversos países por causa da dificuldade de coleta e processamento.

Ao ampliar a lista de materiais aceitos, a Inglaterra pretende aumentar ainda mais o volume de resíduos encaminhados para reciclagem e fortalecer a economia circular.

Além disso, a medida incentiva a população a separar corretamente um material que, muitas vezes, acabava sendo descartado junto aos resíduos comuns.

Aprendizados para o Brasil e práticas inspiradoras 

As mudanças adotadas pela Inglaterra mostram que aumentar os índices de reciclagem depende de um conjunto de ações.

Não basta incentivar a população a separar os resíduos. Também é preciso oferecer regras claras, infraestrutura adequada e campanhas permanentes de educação ambiental.

Embora a realidade brasileira seja diferente, algumas dessas iniciativas podem servir de inspiração.

A padronização da coleta seletiva, por exemplo, ajudaria a reduzir dúvidas e poderia facilitar a participação da população, especialmente em municípios que ainda apresentam sistemas muito diferentes entre si.

Outro aprendizado importante está na valorização da comunicação.

Quando as pessoas entendem exatamente como separar os resíduos e sabem que o material será realmente reciclado, a adesão costuma aumentar.

O fortalecimento da educação ambiental também merece destaque.

Escolas, empresas, cooperativas e comunidades podem desempenhar um papel importante na formação de hábitos mais sustentáveis.

Além disso, políticas públicas voltadas ao fortalecimento da coleta seletiva, da logística reversa e da reciclagem ajudam a ampliar os resultados ao longo do tempo.

Hoje, o Brasil ainda recicla uma parcela pequena dos resíduos sólidos urbanos gerados. Isso mostra que existe espaço para avançar, principalmente quando governo, empresas e sociedade trabalham de forma integrada.

Observar experiências internacionais não significa copiar modelos prontos.

Cada país possui desafios próprios, características culturais diferentes e necessidades específicas.

Ainda assim, conhecer exemplos bem-sucedidos ajuda a identificar caminhos que podem ser adaptados à realidade brasileira.

No fim das contas, a reciclagem na Inglaterra mostra que mudanças estruturais, quando acompanhadas de informação e participação da população, podem gerar resultados consistentes.

Pequenas mudanças na forma de separar os resíduos podem parecer simples, mas têm potencial para transformar toda a cadeia de reciclagem.

Quer conhecer outra iniciativa internacional voltada à sustentabilidade? Aproveite para ler também nosso conteúdo sobre a lei francesa contra o fast fashion e o desafio brasileiro.

 

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