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O que é biogás e como esse biocombustível é produzido?

O que é biogás e como esse biocombustível é produzido?

O biogás é uma alternativa cada vez mais estratégica para substituir parte do uso de combustíveis fósseis. E isso ganha ainda mais importância quando olhamos para os impactos ambientais da matriz energética atual.

Os combustíveis fósseis são encontrados na natureza e formados ao longo de milhões de anos, a partir da decomposição de matéria orgânica, como animais e plantas. 

Para isso acontecer, foram necessárias condições específicas de temperatura e pressão, em um processo muito lento de transformação geológica.

É justamente dessa origem que surgem fontes amplamente usadas no mundo todo, como:

  • petróleo,
  • carvão mineral,
  • gás natural.

O problema é que o uso desses recursos não renováveis está entre os principais fatores que intensificam as mudanças climáticas e a poluição atmosférica. 

Segundo o Global Carbon Budget 2025, as emissões globais de CO₂ de origem fóssil estão projetadas em 38,1 bilhões de toneladas em 2025, com alta de 1,1% em relação a 2024.

Nesse cenário, o biogás reúne características importantes para substituir ao menos parte desse consumo fóssil.

Afinal, ele aproveita resíduos orgânicos, reduz emissões e ainda ajuda a dar destino útil a materiais que, de outra forma, seguiriam para descarte. 

Não é o tipo de solução que faz mais sentido quando o desafio é unir energia e sustentabilidade?

O que, exatamente, é biogás?

O biogás é um biocombustível gerado a partir da decomposição de matéria orgânica, também chamada de biomassa.

Esse processo acontece por meio da fermentação anaeróbica (ou seja, sem a presença de oxigênio) realizada por bactérias que degradam os resíduos.

E o mais interessante: isso pode acontecer todos os dias, com materiais que normalmente seriam descartados.

Entre as principais fontes estão:

  • resíduos agrícolas,
  • bagaço (como o de cana-de-açúcar e arroz),
  • restos de alimentos,
  • óleos vegetais,
  • esterco,
  • dejetos humanos.

Todo esse material é colocado em um ambiente fechado e controlado, onde ocorre a decomposição. Durante esse processo, são liberados gases como:

  • metano (CH₄),
  • dióxido de carbono (CO₂),
  • sulfeto de hidrogênio (H₂S),
  • vapor de água (H₂O),
  • nitrogênio (N₂).

É justamente o metano que dá ao biogás seu alto potencial energético.

Como o biogás é produzido em aterros sanitários?

O biogás pode ser gerado tanto em pequena escala, com biodigestores, quanto em grandes estruturas, como em:

  • atividades agropecuárias,
  • indústrias,
  • aterros sanitários.

Nos aterros, a produção acontece de forma contínua, já que há grande volume de resíduos orgânicos.

Esses locais contam com sistemas de drenagem e captação que coletam os gases gerados durante a decomposição. A partir daí, existem algumas possibilidades:

  • geração de energia elétrica por meio de motogeradores,
  • purificação para produção de biometano,
  • queima controlada (flare), reduzindo impactos ambientais.

O biometano, por exemplo, pode substituir diretamente o gás natural e até o diesel. Isso permite seu uso em veículos pesados e processos industriais, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Benefícios de utilizar esse biocombustível

Existem muitos benefícios no uso do biogás, começando pela própria lógica de aproveitamento. 

Em vez de depender apenas de fontes fósseis sujeitas a oscilações econômicas, geopolíticas e de oferta, ele permite gerar energia a partir de resíduos orgânicos disponíveis de forma recorrente.

Outro ponto importante é que se trata de um combustível renovável, sem necessidade de extração invasiva como ocorre com fontes fósseis. 

A matéria orgânica usada nesse processo é gerada diariamente em atividades urbanas, agropecuárias, industriais e de saneamento.

Além disso, o aproveitamento energético desses resíduos ajuda a resolver uma questão ambiental bastante sensível: materiais orgânicos deixam de ser apenas descartados e passam a retornar ao ciclo produtivo na forma de energia ou combustível. 

Não é uma mudança de lógica que conversa diretamente com economia circular?

Há ainda o benefício climático. O metano é um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂ na comparação em 100 anos. 

Pelos valores mais recentes adotados em inventários, seu potencial de aquecimento global é de 27,9 vezes o do dióxido de carbono nesse horizonte temporal. Por isso, captar e queimar ou aproveitar esse metano faz diferença real.

Também pesa a favor do biogás a alta disponibilidade de matéria-prima e a possibilidade de geração distribuída, o que amplia seu valor na matriz energética. 

Em outras palavras, não estamos falando apenas de um combustível alternativo, mas de uma solução com potencial energético, ambiental e operacional.

Desafios na produção de biogás

Apesar de todo o potencial, ainda existem obstáculos importantes para ampliar o uso do biogás no Brasil:

Lixões a céu aberto 

Infelizmente, os lixões a céu aberto ainda fazem parte da realidade brasileira.

A legislação nacional estabeleceu o encerramento desses espaços, e 2 de agosto de 2024 foi a data-limite final prevista para os municípios se adequarem, conforme os prazos da Política Nacional de Resíduos Sólidos e suas atualizações. 

Mesmo assim, o problema segue presente em várias cidades.

Nesses locais, os resíduos são depositados sem preparo adequado do solo, sem controle ambiental efetivo e sem sistemas apropriados para tratamento do chorume ou captação de gases. 

Como resultado, há contaminação da água, do solo, do ar e dos lençóis freáticos, além de riscos sanitários importantes.

Esse cenário também favorece a presença de insetos, roedores e microrganismos patogênicos, ampliando a exposição de pessoas e comunidades a condições insalubres. 

Quando isso acontece, perde o meio ambiente, perde a saúde pública e perde também o potencial energético que poderia ser aproveitado.

Falta de estrutura 

Outro desafio significativo é a falta de infraestrutura para captação e aproveitamento do biogás.

Muitas vezes, o gás gerado não é coletado adequadamente e acaba sendo liberado na atmosfera, desperdiçando um enorme potencial energético.

Segundo a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o Brasil poderia produzir até 84,6 bilhões de m³ por ano, o suficiente para atender cerca de 40% da demanda de energia elétrica do país ou substituir 70% do consumo de diesel.

Falta de políticas de incentivo

Também há uma carência de políticas públicas específicas e eficazes para o setor.

O biogás possui características próprias e demanda incentivos direcionados, principalmente para projetos de menor escala.

Entre os principais entraves estão:

  • burocracia no licenciamento ambiental,
  • limitações na infraestrutura,
  • dificuldades na comercialização,
  • baixa valorização do biometano.

Sem avanços nesses pontos, o crescimento do setor tende a ser mais lento do que poderia.

O biogás representa uma oportunidade concreta para avançarmos rumo a uma matriz energética mais sustentável.

Mas, para que isso se torne realidade em larga escala, é essencial superar desafios estruturais, regulatórios e econômicos.

Quer entender melhor como os resíduos impactam o meio ambiente e por que soluções como o biogás são tão importantes? Aprofunde-se no tema e descubra mais sobre os impactos dos lixões a céu aberto.

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