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A lei francesa contra o fast fashion e o desafio brasileiro

A lei francesa contra o fast fashion e o desafio brasileiro

O fast fashion é um modelo que transformou completamente como as roupas são produzidas, comercializadas e consumidas em todo mundo.

Baseado em ciclos acelerados de produção, preços baixos e estímulo constante ao consumo, esse conceito tornou a moda mais acessível.

Por outro lado, ele também intensificou problemas ambientais, sociais e econômicos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Nos últimos anos, esses impactos ganharam mais visibilidade, impulsionado por estudos ambientais, denúncias de condições precárias e pelo crescimento alarmante do descarte de resíduos têxteis.

Em 2024, a França deu um passo significativo ao aprovar uma legislação contra o fast fashion. Continue a leitura e saiba mais sobre o assunto.

As problemáticas do fast fashion

O fast fashion pode ser definido como um modelo de produção e consumo baseado na rápida renovação de coleções, na fabricação em alta escala e na oferta de produtos a preços reduzidos.

Inspirado nas tendências das passarelas e das redes sociais, esse sistema estimula compras frequentes e o descarte acelerado das peças.

Essa lógica gera impactos ambientais graves. Conforme a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), são produzidas globalmente cerca de 100 bilhões de peças de vestuário por ano.

São mais de 3 mil peças por segundo, o dobro do que era em 2000.

Ainda segundo a ABREMA, essa indústria é responsável por 10% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Além disso, atualmente as peças são usadas, em média, entre 7 a 8 vezes antes de serem descartadas e apenas 1% vai de fato para a reciclagem.

Isso sem falar na água, energia e insumos químicos utilizados na produção das peças.

Do ponto de vista social, o fast fashion também levanta preocupações, já que muitas marcas usam mão de obra barata ou até mesmo escrava, o que também acontece com grandes nomes do mercado.

Como a França decidiu enfrentar o problema?

A França se tornou um dos primeiros países a adotar uma legislação específica voltada ao combate do fast fashion, reconhecendo oficialmente os impactos negativos desse modelo.

Uma lei foi aprovada em 2025 e estabelece um conjunto de medidas que buscam desestimular o consumo excessivo e incentivar práticas mais sustentáveis no setor da moda.

A legislação estabelece como ponto central a aplicação de uma taxação adicional direcionada às grandes marcas que trabalham com esse modelo. Essa medida incide especialmente sobre aquelas que adotam um modelo de produção em massa e operam com ciclos de coleção extremamente curtos.

Com base nisso, a arrecadação dessa taxa é direcionada às iniciativas de sustentabilidade e à promoção da moda responsável.

Uma consequência importante é a proibição ou restrição de publicidade para as marcas de fast fashion. Essa medida reconhece o papel do marketing na indução ao consumo e busca diminuir o incentivo à compra por impulso e ao descarte prematuro das roupas.

A lei francesa também prevê incentivos à moda sustentável, que envolve a reparação, a reutilização e a reciclagem de peças.

Dessa forma, a transparência também ganhou destaque e se tornou um elemento central na relação entre marcas e público.

A realidade do fast fashion no Brasil

Segundo a Serasa Experian, quase meio milhão de brasileiros compram artigos de moda online.

Desses, 52,1% são da classe C e a grande maioria está entre os 25 e 29 anos.

Pode parecer estranho, mas a explicação é simples: o fast fashion conta com preços diferenciados que atraem grande parte da população. Além disso, os brasileiros passam mais de 3 horas diárias nas redes sociais, segundo a Consumer Pulse, o que gera desejo por novidades constantes.

Por um lado, finalmente diferentes classes sociais podem ter acesso a peças da moda. Mas, por outro, temos roupas com alto impacto ambiental que, muitas vezes, tem durabilidade reduzida, seja por questões estéticas ou de usabilidade.

E a realidade fica ainda pior quando somamos o alto consumo a uma gestão extremamente limitada de resíduos têxteis e a falta de alternativas sustentáveis com preços competitivos para combater o consumo excessivo.

O impacto ambiental e social do consumo acelerado

O consumo acelerado, associado ao fast fashion, gera grandes consequências para o meio ambiente.

Essas peças são normalmente feitas de tecidos sintéticos que possuem baixa degradabilidade e podem liberar microplásticos no ambiente ao longo do tempo.

Isso sem falar no aumento dos resíduos sólidos urbanos, quando esses materiais são descartados incorretamente, e nos processos industriais para produção, que geram efluentes e emissões que impactam solos, corpos d’água e a qualidade do ar.

No aspecto social, esse modelo está ligado a ambientes de trabalho com pressão por custos baixos, prazos curtos, trabalhos precários, jornadas extensas, condições inseguras e a falta de direitos trabalhistas, o que geralmente ocorre em países com legislações menos rigorosas.

Tudo isso mostra que, apesar do valor dos produtos ser baixo, por trás dele há um impacto ambiental e social imenso desde a concepção até o descarte.

Seria possível aplicar uma lei similar no Brasil?

A adoção de uma legislação semelhante à francesa no Brasil envolve desafios complexos.

Economicamente falando, o setor têxtil e de confecção é relevante para a geração de empregos e renda, o que exige cuidado na formulação de políticas públicas que causem impactos sociais negativos imediatos.

Culturalmente, o consumo de moda acessível já faz parte da vida da população, o que exige uma abordagem gradual, combinando regulação, incentivos e educação ambiental.

E politicamente tudo fica ainda mais complicado, já que qualquer mudança na legislação exige articulação entre diferentes esferas do governo e diálogo com o setor produtivo.

No entanto, alguns avanços já foram feitos. A “taxa de blusinha”, por exemplo, foi uma iniciativa do Governo Federal para cobrar imposto de importação em sites internacionais para estimular a competitividade da indústria nacional.

Essa medida, segundo a Confederação Nacional da Indústria, fez com que 29% dos brasileiros desistissem de comprar em sites internacionais, conhecidos por estimularem o fast fashion.

Mas é preciso ir além. O Brasil precisa fortalecer as políticas de logística reversa, criar incentivos para a reutilização e reciclagem de tecidos, e estimular o design sustentável e acessível.

É preciso adaptar o modelo francês para a realidade econômica, social e ambiental do Brasil para promover uma transição sustentável que não tire o poder de compra dos trabalhadores.

Curtiu esse conteúdo e quer ver como outros países lidam com o meio ambiente? Continue aqui e leia Mottainai: a filosofia de vida japonesa que combate o desperdício.

 

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