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Consumo exagerado: uma batalha difícil de vencer

Consumo exagerado: uma batalha difícil de vencer

O consumo exagerado deixou de ser um comportamento pontual e passou a influenciar diretamente a rotina de empresas, cidades e famílias. 

Uma publicação de novembro de 2025, no GS1 Brasil, portal de notícias da Associação Brasileira de Automação, indica que 62% dos brasileiros compram por impulso na internet.

Em geral, toda compra gera lixo. Quando o consumo é excessivo, a quantidade de caixas, papéis, plásticos, lacres e outras embalagens dos produtos adquiridos que precisam ser descartados é significativamente maior.

Dessa forma, o consumo resulta em dois grandes desafios:

  • alta demanda por matéria-prima, que sobrecarrega a cadeia de extração de recursos,
  • aumento do descarte de resíduos, que exige sistemas de coleta, triagem e destinação cada vez mais eficientes e estruturados.

Apesar dos avanços na conscientização ambiental e na reciclagem, ainda há um enorme desequilíbrio entre o que se extrai, se produz, se consome e o que realmente retorna ao ciclo produtivo.

Essa é uma realidade mundial. Dados do Circularity Gap Report 2025 apontam que 

apenas 6,9% dos materiais usados globalmente retornam à economia como material secundário. 

Isso significa que mais de 93% dos recursos usados no mundo ainda são extraídos diretamente da natureza e descartados após o uso, sem retornar ao ciclo produtivo.

Portanto, o combate ao consumo exagerado não pode se limitar à conscientização dos consumidores para a mudança de hábitos. 

É crucial entender um sistema de produção e consumo que estimula o descarte acelerado e provoca impactos socioambientais profundos, que não podem ser resolvidos apenas pela reciclagem.

A seguir, vamos mostrar um pouco mais desse cenário e o porquê ainda estamos diante de uma batalha difícil de vencer. Continue a leitura e confira.

O consumo exagerado e suas consequências

Consumo exagerado é um conceito muito amplo que abrange diversas áreas e envolve o comportamento humano. 

Ele pode envolver, por exemplo, o excesso de comida e bebida, ou o uso irracional de água e energia elétrica e compras por impulso.

Compra por impulso ou consumo exagerado ocorre quando a aquisição deixa de atender uma necessidade real e foi motivada por estímulos externos, como:

  • promoções contínuas,
  • modas repentinas,
  • o que você tem deixou de ser novidade,
  • a sensação de que trocar por um novo é mais fácil que manter ou reparar o usado.

Além de pesar no bolso, o consumo desenfreado traz impactos ambientais e tem efeito direto sobre a geração de resíduos. 

Em primeiro lugar, quanto mais se compra, mais a indústria precisa produzir e maior será a necessidade de matéria-prima, que por sua vez aumenta a extração de recursos.  

Além disso, praticamente todo processo industrial para fazer um novo produto exige água, energia e transporte. 

Quanto maior for o volume de produtos adquiridos, maior também é a quantidade de embalagens, plásticos, papéis e outros materiais de uso breve para estocagem dos produtos que exigem descarte.

O modelo econômico de produção, consumo e descarte intensifica a pressão sobre os recursos naturais, impulsionando a demanda por matérias-primas virgens. 

Isso agrava impactos ambientais, como o desmatamento, a mineração, o consumo de água e as emissões de carbono resultantes das longas cadeias logísticas.

Especialmente na gestão de resíduos, esse padrão de consumo pressiona todo o sistema:

  • a coleta fica mais desafiadora, 
  • a triagem recebe materiais cada vez mais misturados e complexos, 
  • a destinação final enfrenta sobrecarga. 

Reciclagem em crescimento, mas ainda insuficiente

A reciclagem evoluiu em muitos países, com avanços em coleta seletiva, tecnologias de separação e aumento da consciência ambiental. 

Países como a Alemanha e Suécia conseguem taxas de reciclagem de 66% e 60% respectivamente e mostram ser possível, sim, devolver o resíduo à cadeia circular.

Mesmo assim, esse crescimento não acompanha o ritmo do consumo exagerado global, muito pouco é reciclado e volta à cadeia produtiva. 

O Circularity Gap Report aponta queda na circularidade nos últimos anos. Logo, a economia ainda depende majoritariamente de materiais virgens.

Leia também: Descubra como o Reino Unido está liderando a moda circular.

Circularidade em queda: o dado que preocupa

O Circularity Gap Report 2025, mencionado na introdução, revela que apenas 6,9% das 106 bilhões de toneladas de materiais consumidos anualmente no mundo retornam à economia por meio de fontes recicladas.

Esse número representa uma queda em relação ao relatório anterior, que apontava uma taxa de circularidade de 7,2%. Na prática, isso significa um retrocesso de 2,2 pontos percentuais ao longo da década de 2015 a 2024. 

O dado evidencia que o desafio da sustentabilidade vai além da reciclagem, ele está diretamente ligado ao ritmo acelerado e insustentável do consumo exagerado global.

Não basta ter apenas boas iniciativas de reciclagem se a lógica do consumo continua acelerada. 

A circularidade depende de decisões anteriores ao descarte, como design do produto, durabilidade, possibilidade de reparo, modelos de negócio baseados em reuso e infraestrutura para retorno de materiais.

Resumindo: se o consumo exagerado domina, a circularidade perde força porque o volume em circulação é muito acima do que o sistema consegue recuperar.

O impacto ambiental do consumo exagerado 

O impacto do consumo exagerado aparece do início ao fim da cadeia.

A elevada procura por matéria-prima no processo de extração intensifica a pressão ambiental e os riscos associados, como a mineração, a exploração de recursos, o consumo de água e a consequente perda de biodiversidade.

Na produção industrial, entram consumo energético, químicos, efluentes e emissões. No transporte, cresce a pegada logística. No descarte, vivenciamos velhos problemas, como resíduos nas ruas, descarte irregular, contaminação de recicláveis e sobrecarga de aterros.

Outro efeito importante é a complexidade crescente das embalagens multimateriais, multicamadas e produtos com baixa reparabilidade. Padrão que reduz a eficiência da triagem e limita o aproveitamento.

Por isso, o consumo exagerado influencia diretamente a viabilidade de sistemas de reciclagem e gestão de resíduos.

Por que mudar o padrão de consumo é mais urgente que reciclar mais?

A reciclagem é indispensável, porém, ela entra em ação depois que o resíduo já existe. 

O consumo exagerado, por sua vez, atua antes. É a compra por impulso que define quanto material entra no sistema e quão rápido esse material vira resíduo.

Enquanto dirigentes, indústrias e sociedade focaram apenas em aumentar o índice de reciclagem, o consumo inconsciente tende a continuar. 

A mudança de hábito impacta todo um sistema, especialmente quando: 

  • diminui a extração de recursos naturais,
  • reduz a geração de resíduos,
  • melhora a eficiência da coleta e triagem dos materiais,
  • aumenta a chance de reutilização e reparo, antes de compra de um novo,
  • ajuda a diminuir o descarte indevido em aterros e sistemas públicos.

Na prática, reciclar continua essencial, mas a mudança de hábitos define se a reciclagem vai atuar como solução real ou como remendo diante de um volume que não para de crescer.

A redução do consumo exagerado depende de informação, educação ambiental e infraestrutura de gestão. 

Sem uma coleta seletiva eficiente, aliada à triagem e destinação adequadas, mesmo o consumo consciente terá suas limitações.

Para que a sustentabilidade vá além do discurso e se torne uma atitude concreta, é fundamental o papel de empresas e organizações com foco ambiental. 

Elas contribuem para a mudança desse cenário ao consolidar boas práticas, impulsionar as cadeias de reaproveitamento e otimizar a eficiência na gestão de resíduos.

Agora que você compreendeu como o consumo exagerado ainda é uma batalha difícil de vencer, que tal continuar aqui no nosso blog e ficar por dentro sobre o impacto da economia circular na América Latina?

 

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